Sobre o dia em que a morte nos visita…

Sobre o dia em que a morte nos visita…

Na publicação de ontem falamos sobre visitas e de certa forma acabamos citando visitas indesejáveis. Mas esta, desejável ou não um dia nos surpreenderá.

Se tem uma coisa que a gente nunca está preparado é para o dia que o idoso irá partir, já li relatos muito tristes de médicos que disseram frases como:

“Nossa, mas você não estava esperando que isso fosse acontecer não?”

Isso é a pior coisa que a gente pode dizer à uma família que cuida de um idoso com Alzheimer. Quem diz isso não tem noção alguma da conexão que o cuidador cria com o idoso que está sendo cuidado. Mas a gente sabe que profissionais da saúde despreparados, frios e sem empatia é o que mais vemos por aí. Não é regra, porém é difícil de encontrar profissionais que tenham AMOR na hora de lidar não só com o paciente, mas também com o cuidador.

Eu sempre pensei no dia que meu avô fosse embora, e eu tenho certeza que isso me ajudou e muito em todo o processo. Na verdade, eu não estou 100% “curado” de tudo o que aconteceu, mas acredito que seria muito mais difícil se eu não tivesse tirado momentos para pensar em como seria quando não existisse mais a rotina de cuidados com o vôvs… cheguei a escrever sobre isso algumas vezes.

Isso me ajudou a aproveitar cada instante com ele. Nos dias em que eu estava bem cansado, as vezes pensava em como seria se tudo acabasse… e aí eu dizia:

É só uma fase, um cansaço, um sinal de que eu preciso desacelerar… (mesmo sem poder), e um dia quando nada disso existir, eu vou sentir falta até mesmo de estar cansado por isso.

A GENTE NUNCA IMAGINA QUANDO É “A HORA CERTA”

Seja por inocência ou falta de experiência no assunto MORTE, eu sempre imaginei que saberia quando seria a hora. Ou eu pensava assim: “Quando eu ver que meu avô está bem malzinho e ver que não tem porque pedir que ele fique, certamente eu vou desejar que o melhor aconteça, no caso… que ele descanse!” Grande erro, meu povo…

A gente nunca está preparado. Chega um ponto que o cuidado é tanto, a rotina está tão atrelada à nossa vida, que aquilo tudo não é mais difícil, nem chega a ser cansativo…

porque é bom cuidar;

porque é bom ouvir o “muito obrigado” do meu avô;

porque essa é minha vida por anos;

porque se for diferente a gente não sabe o que fazer…

e é por isso que é importante pensar que esse dia irá chegar.

Isso certamente te ajudará a imaginar a vida sem a aquela pessoa que você ama e cuida, e fará você aproveitar melhor as fases que vem, tanto as boas quanto as ruins…

A morte é algo inevitável, e como diz aquele famoso ditado:

É a única certeza que a gente pode ter!

No dia em que meu avô morreu, parecia que de algum modo eu sabia que aqueles eram seus últimos instantes. A forma como ele estava respirando, o seu olhar, e até mesmo como segurava minha mão.

Após sair do hospital, o cuidado ainda continuou com a organização de tudo para o funeral. Sorte que por já ter imagino por inúmeras vezes como seria este momento, eu consegui seguir fazendo sair como havia planejado. Parece errado imaginar até mesmo como será o dia da morte do idoso?

Não, eu creio que não.

É bobeira pensar que esse dia não vá acontecer, ou até mesmo que “traz má sorte” pensar nisso. Má sorte é a gente ter que dizer adeus à rotina e aos cuidados, em certos dias parecer que sua vida também foi ou que não tem mais sentido. Nossa vida gira em torno do idoso e do cuidado, e quando ele se vai… o que nos sobra? O que dificulta também é a cobrança da “vida ter que seguir”, nem tanto das pessoas… mas sim da sociedade. Quando digo sociedade, me refiro às contas que precisam ser pagas e a vida profissional que agora depois de alguns anos, é preciso colocar nos trilhos. Mesmo sem vontade alguma. Eu tenho muito o que fazer, como seguir com meus planos para o Canal Com Viver crescer cada vez mais! Comecei a cuidar do meu Vôvs aos 19 anos, hoje aos quase 26, consigo ver a quantidade de coisas que ainda tenho para fazer e o tempo que aparenta ser longo. Mas a gente precisa pensar que nem todos os cuidadores tem essa faixa etária. A maioria são senhoras acima dos 50 anos e que cuidam de outras senhoras. A disposição é outra,

O cansaço é maior,

A paciência nem sempre se faz presente…

A todas essas guerreias a minha admiração! O apoio à vocês deveria ser redobrado! Mas é o amor e respeito que vocês tem pelos familiares que as mantém de pé! 💜

O que a gente precisa fazer independente de idade, é se agarrar nos amigos pois eles são a família que a gente escolhe! Sem eles, suportar esses golpes que a vida nos dá seria muito mais triste e solitário, mais do que as vezes ela nos obriga a ser. Tenham bons amigos pra se tomar café, a vida muda!

Encerro deixando com vocês uma das minhas anotações de três ano atrás!

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